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segunda-feira, 29 de abril de 2013

Rio Doce: degradado pela ação do homem, esquecido pelos órgãos ambientais

Situado nos municípios de Natal e Extremoz, pequeno rio sofre com abandono e sem competência definida pelo poder público
Por Moisés de Lima
Criança brinca nas águas poluídas do Rio Doce, Zona Norte (Foto: Welligton Rocha)

Quem passa pela Avenida João Medeiros Filho, Zona Norte, se assusta com o estado do pequeno rio que cruza a Redinha em direção ao leito do Potengi. Sujo, degradado, impróprio para o banho, o Rio Doce está longe de seus melhores dias. Hoje é apenas é o exemplo das sórdidas ações humanas e do esquecimento completo por parte dos órgãos ambientais.
O Rio Doce integra das 14 principais bacias hidrográficas do Rio Grande do Norte e está situado dentro da Zona de Proteção Ambiental 9 (ZPA 9).
Tem uma área de 387,9 quilômetros quadrados entre a Lagoa de Extremoz, onde ele nasce, até o estuário do Potengi. Ao longo do seu leito são produzidas hortaliças que abastecem a cidade e ele cumpre tarefa importante recarregando o estuário do Rio Potengi.
Banho
Latas, garrafas e sacolas plásticas retratam as condições de um rio com altos níveis de poluição. Segundo moradores da região ninguém mais se atreve a tomar banho nele. A reportagem do portalnoar.com flagrou crianças do bairro de Norderlândia entrando nas águas.
“Não vejo mais ninguém tomando banho aqui. Antigamente isso era limpo e vinha muita gente vinha para cá nos finais de semana. Agora o movimento caiu muito” afirma Manoel Borges, donos de um dos bares localizados nas proximidades da Praia da Redinha.
Manoel Borges, proprietário de bar: “Ninguém tem mais coragem de tomar banho aqui” (Foto: Welligton Rocha)

Decadência
Instalado há três anos no local, Borges acompanhou o início da decadência do rio, “Quando cheguei aqui ainda vi um rio limpo que dava para se banhar. Hoje tá só essa porcaria aí.”, acrescenta.
Há relatos de animais e até automóveis que são lavados no local. “ Isso é direto aqui, eles sempre trazem cavalos e jumentos pra dar banho aqui”, afirma o vendedor José Soares, morador do local. Ele acusa o posto de saúde municipal da localidade de retirar detritos no rio. “ Eu sempre vejo esse pessoal do posto jogando lixo aqui”.

Pesca
A atividade pesqueira também decaiu com a degradação do leito. Hoje poucos botes navegam o rio em direção ao Potengi em busca de peixes. Acostumado desde criança a pescar no local, Leandro Ferreira afirma que hoje que a pesca diminuiu muito na região. “Hoje pegamos poucos peixes diferentemente de antes. Atualmente eu só pesco por prazer e para passar o tempo. Não dá para ganhar dinheiro como antigamente”, lamenta
O pescador Leandro Ferreira reclama da pouca quantidades de peixes atualmente (Foto: Wellington Rocha)

Abandono
As péssimas condições dos bueiros que servem como pontilhão para a Avenida João Medeiros Filho sobre o rio são visíveis para quem circula pelo local. Sujos, enferrujados e quase entupidos. Retrato do completo abandono do rio.
Procurados pela reportagem do Portalnoar.com se mostram confusos quanto a competência da gestão sobre o Rio Doce. A assessoria técnica do Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do RN (Idema) informou que a gestão e monitoramento do rio é compartilhada pelas prefeituras de Extremoz e Natal.

Denúncias
Mas o titular da Secretaria de Meio Ambiente e Urbanismo, Marcelo Toscano estranhou o fato de o Idema não monitorar o rio. “Eu fui diretor do Idema e acredito que ela tenha competência já que se trata de um rio que cruza dois municípios do Estado”.
O supervisor de Águas e Solos da Semurb, Yang Chaves Júnior afirma que o órgão realiza ações de fiscalização e autuação no rio quando existe denúncias. “Fora isso detectamos retiradas ilegais de areia, colocação de veneno pelos produtores de hortaliças e ocupação irregular do solo”. Mas sabemos de muitas irregularidades. Mas só podemos ir quando recebemos denúncias.


Fonte. www.portalnoar.com.br

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